sexta-feira, 13 de março de 2009

6666

O Protesto acaba de receber o seu visitante 6666, um número verdadeiramente diabólico!

Entretanto, há cerca de uma semana, foi acrescentado um contador de bandeiras nacionais à secção dedicada aos visitantes do blogue. É uma forma simples de mostrar o universalismo dos nossos leitores, a juntar ao planisfério que se encontra acima dele, embora já tenha percebido que não é muito fiável: ainda há pouco, apareceu um visitante de Espanha e não foi adicionado à bandeirinha do seu país que já lá estava com um único acesso. O mesmo sucedeu com dois visitantes da Índia e de Singapura há cerca de uma semana, entre outros de que não me recordo agora. Seja como for, é um widget que empresta mais um pouco de colorido a'O Protesto.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Afinal, sempre entrou!

Afinal, o Professor Kenneth (*) Chan Ka Lok (陳家洛), da Universidade Baptista de Hong Kong, sempre entrou hoje em Macau, depois de ter sido impedido de o fazer em Dezembro último. Era previsível que assim acontecesse, considerando todo o mediatismo que rodeou esta sua deslocação.

O mesmo prevejo que suceda no próximo domingo, quando uma delegação de deputados do Legislative Council da região vizinha aqui se deslocar, provavelmente engrossada com algumas dezenas de activistas políticos e jornalistas. O mediatismo da visita vai ser incomparavelmente maior e não acredito que as autoridades de Macau queiram arriscar-se a aparecer de novo nos noticiários de todo o mundo pelas piores razões. Mesmo que encarem a iniciativa como um gesto de desafio dos democratas de Hong Kong...

(*) Com dois «n», ao contrário do que tenho lido na imprensa local de língua portuguesa.

Nota: agradeço ao Bairro do Oriente a referência a esta posta na sua rubrica «Os blogues dos outros».

Os cursos amadores

Nuno Lima Bastos
12 de Março de 2009

Folheava eu o Boletim Oficial da RAEM há pouco mais de três semanas, quando me deparei com um despacho do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura a aprovar retroactivamente o funcionamento no território de um curso de mestrado em Direito de que nunca ouvira falar. Lido o diploma, fiquei a saber que é originário da Huaqiao University da República Popular da China, sendo aqui ministrado através de uma entidade curiosamente designada Centro Amador de Estudos Permanentes de Macau, com sede no 3.º andar do edifício Plaza Kin Heng Long, na Rua de Roma, ao NAPE.
Uma rápida pesquisa da versão electrónica do Boletim Oficial levou-me a encontrar outro curso de mestrado em Direito – Económico, desta feita – autorizado a funcionar exactamente nos mesmos termos, mas já desde Janeiro de 2004.
Após colocar os dois despachos no meu blogue, recebi um comentário de um leitor anónimo, apontando uma ligação desse Centro Amador a «organizações dos operários de Macau». E assim parece ser: a sua página na Internet apresenta-o sob a capa da Federação das Associações dos Operários de Macau, com a designação de Centro de Estudos Permanentes Pós-Laboral.
Fazendo mais umas buscas na net, fui parar ao website da Assembleia Legislativa; mais concretamente, à ficha do deputado nomeado Lei Pui Lam, apresentado como tendo a profissão de professor e o cargo de chanceler do Centro Amador de Estudos Permanentes de Macau (sendo, também, deputado à Assembleia Nacional Popular). A sua ficha pessoal indica, ainda, que possui uma licenciatura em Educação pela South China Normal University e outra em Direito, com especialização em Sociologia, pela Jinan University – curiosamente, dois dos estabelecimentos de ensino do continente que operam cursos no Centro Amador de Estudos Permanentes de Macau, como descobri mais tarde no Boletim Oficial... Continuando as coincidências, este deputado exerce a sua actividade docente na qualidade de professor catedrático visitante da Beijing Open University e da Hauqiao University, sendo que esta é outra das instituições do continente que ministram formação no Centro Amador... Em suma, o ecléctico senhor é, simultaneamente, chanceler deste estabelecimento de ensino, licenciado por duas universidades que operam em Macau através dele e catedrático de uma terceira universidade que funciona aqui pela mesma via! Cada um que tire as conclusões que quiser...
Voltando ao Boletim Oficial, apercebi-me de que, afinal, este Centro Amador é um verdadeiro potentado do ensino superior no território, tendo lançado, desde 2001, nada mais, nada menos do que 46 cursos, entre diplomas de três anos, cursos complementares de licenciatura, licenciaturas e mestrados – vinte mestrados, para ser mais preciso: além dos dois em Direito que já referi, também em Teoria e Design de Arquitectura, Psicologia Aplicada, Psicologia do Desenvolvimento e da Educação, Finanças, Tecnologia de Informática Aplicada, Engenharia Bioquímica, Engenharia Estrutural, Educação Física, Gestão Empresarial ou Gestão Administrativa.
Por detrás destes estudos, todos eles de «reconhecido interesse» para a RAEM – condição imprescindível para a sua autorização –, estão seis academias da China: as três a que o deputado Lei Pui Lam está ligado, a que se juntam a Beijing University (que presumo não ser a mesma instituição que a aludida Beijing Open University), a Zhongshan University e a Beijing Sport University.
Quero acreditar que o Governo de Macau tem sabido apreciar e ponderar adequadamente e de forma isenta os pedidos de autorização de todos estes cursos, e que o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior tem exercido com rigor a sua atribuição de «proceder à avaliação da qualidade científica e pedagógica do ensino ministrado, propondo as medidas que considerar adequadas». No entanto, se um dia for mesmo avante a criação da categoria máxima de técnico superior especialista no regime de carreiras da Administração Pública, pressupondo a detenção de uma pós-graduação, quero ver quem vão ser os candidatos aos lugares...

Nota: agradeço ao Bairro do Oriente a menção desta crónica na sua habitual rubrica «Leituras».

quarta-feira, 11 de março de 2009

O protestante do Banco da China

Depois de uma longa ausência, está de volta o homem que costumava passar horas em frente à agência do Banco da China na Avenida da Praia Grande, fantasiado e exibindo um enorme cartaz com palavras de ordem. Tanto quanto me disseram, já levou com uma acção judicial por difamação, mas safou-se. Quanto aos motivos da reivindicação, conheço uma teoria, mas prefiro deixar o assunto à imaginação dos leitores (aceitam-se contributos).

terça-feira, 10 de março de 2009

Cinquenta anos de sofrimento

As declarações do Dalai Lama por ocasião do 50.º aniversário do seu exílio podem ser lidas aqui.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Ementa típica de um casamento chinês

Um bom exemplo da ementa típica do jantar de um casamento chinês (este foi ontem à noite, no MGM de Macau - altamente recomendável, diga-se!).

domingo, 8 de março de 2009

Xbox 360 em Macau

Tenho visto diversos consumidores algo confundidos quando entram numa loja para comprar uma Xbox 360. A dificuldade é que há três versões da mesma consola, com preços bastante distintos, e os potenciais compradores nem sempre sabem que todas elas são exactamente iguais por dentro, residindo as diferenças apenas no tamanho da unidade de armazenamento externa (disco rígido de 60 ou 120 GB ou cartão de memória de 256 MB) e nos periféricos incluídos (cabos de rede e de áudio/vídeo e auricular com microfone).

Para facilitar as coisas, aqui fica uma imagem das três versões da consola, com o respectivo preço oficial em Hong Kong (também aqui), assim como um quadro comparativo das três, redigido em língua portuguesa (que também se encontra aqui):

Portugal insular e ultramarino

Havia um mapa semelhante a este na minha sala de aulas da escola primária. Lá estão Macau, Timor, a Índia Portuguesa e os territórios africanos, assim como as ilhas adjacentes (actuais regiões autónomas dos Açores e Madeira).

Curiosa é a ortografia usada, com a acentuação das palavras «editora», «Porto» e «Açores», o que se deve ao facto de o mapa ser anterior à revisão ortográfica de 1973.

sábado, 7 de março de 2009

Macau virtual

Aproveitemos o fim-de-semana para relaxar e esquecer por um bocado os maus ventos que andam a fustigar o território, fazendo uma visita ao mundo virtual: já está, finalmente, disponível no nosso mercado o simulador de corridas Race Pro, um exclusivo da consola Xbox 360, que inclui as pistas citadinas de Macau (Guia) e do Porto (Boavista).

Já me referira a ele numa posta de Julho passado, citando notícias que apontavam o seu lançamento para Novembro último (incluindo uma peça do Jornal Tribuna de Macau). Afinal, acabou por sair apenas há cerca de três semanas.

A sua receptividade pelos entusiastas dos videojogos parece estar a ser pautada por algumas críticas sobre inconsistências nos gráficos e problemas de frame rate. Seja como for, poder correr no Circuito da Guia é sempre um atractivo para quem aqui vive, como mostra este vídeo:

sexta-feira, 6 de março de 2009

quinta-feira, 5 de março de 2009

A "silly season"

Nuno Lima Bastos
5 de Março de 2009

Nos últimos tempos, parece não haver semana que passe sem que os nossos diligentes Serviços de Migração barrem a entrada no território de cidadãos de Hong Kong. Ainda por cima, andamos em fase de estreias absolutas, o que dá maior visibilidade à coisa: foi a primeira vez, tanto quanto se sabe, que um fotojornalista (qualquer jornalista, aliás) ou um académico não puderam vir a Macau fazer o seu trabalho.
Quem será, então, o próximo estreante? Um desportista que tenha recusado participar nos recentes Jogos Olímpicos por causa do apoio de Pequim aos regimes criminosos da Birmânia e do Sudão? Um actor de cinema simpatizante do Dalai Lama, como Richard Gere ou Sharon Stone (nem sei como deixam a Damiani utilizar aquele enorme outdoor com a sua foto em frente à agência do Banco da China na Avenida da Praia Grande)? Uma banda musical como os britânicos Oasis, cujo líder, Noel Gallagher, actuou num concerto de apoio à causa tibetana há mais de uma década (e, por isso, acaba de ver cancelados dois espectáculos que estavam agendados para Pequim e Xangai dentro de um mês)? Faites vos joeux! Tudo parece ser possível nos dias que correm! O melhor é cada potencial visitante, antes de gastar dinheiro num bilhete de barco, helicóptero ou avião para Macau, fazer uma séria e minuciosa introspecção aos “erros sínicos” do seu passado e avaliar o risco que corre de ser recambiado quando aqui aportar.
No meio desta já “normalidade”, a escandalosa recusa de entrada, na passada sexta-feira, ao director da Faculdade de Direito da Universidade de Hong Kong e antigo presidente da associação de advogados do território vizinho, Johannes Chan, assume contornos de alguma ironia, dado que o reputado académico vinha à Universidade de Macau realizar uma prelecção subordinada ao tema «o direito constitucional a uma audiência justa e o procedimento administrativo» – matéria que, tal como a necessidade de fundamentação dos actos administrativos que decidam em contrário de pretensão formulada por interessado (artigo 114.º, n.º 1, alínea c), do Código do Procedimento Administrativo), parece escapar de todo ao conhecimento das nossas autoridades fronteiriças, a julgar pela forma arbitrária como aplicam a Lei de Bases da Segurança Interna...
Mas é igualmente irónico que isto continue a suceder numa altura em que os representantes locais à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, reunidos em Pequim, se preparam para apresentar uma proposta para a criação de um visto único para as duas regiões administrativas especiais, apoiada «no princípio de que Macau e Hong Kong, pertencendo agora à República Popular da China, poderiam beneficiar de uma política de circulação de pessoas no Interior da China», segundo explicou Leonel Alves, um dos mentores da iniciativa. Ora, se nem os cidadãos chineses isentos de visto para aqui entrar (os titulares de BIR da RAEHK) conseguem circular livremente entre os dois territórios...
Outro pormenor digno de nota é que Johannes Chan declarou à Cable TV da ex-colónia britânica que os agentes policiais do terminal de jetfoil lhe haviam comunicado que o seu nome constava de uma lista. Depois dos deputados “mentirosos”, estaria também ele a mentir? Pois se não há listas negras...
Comentando a situação para a TDM, Emily Lau, a respeitada vice-presidente do Partido Democrático de Hong Kong e membro do LegCo, afirmava ontem que estes acontecimentos faziam Macau parecer silly (parvo) na cena internacional. Pois é exactamente essa a impressão com que fico cada vez que vejo os nossos governantes a responder à comunicação social que desconhecem os pormenores de casos concretos, que Macau recebe todos os visitantes de braços abertos, que a polícia age em conformidade com a lei ou que estes procedimentos são normais em todos os países do mundo.
Também ontem, à partida para Pequim, o Chefe do Executivo afiançou que estas situações mais recentes nada tinham a ver com o processo legislativo de implementação do artigo 23.º da Lei Básica – e até acredito sem dificuldade nenhuma! Afinal, com uma utilização tão “generosa” dos poderes conferidos às autoridades policiais por outros diplomas, quem é que verdadeiramente precisa de uma lei de defesa da segurança do Estado? Pelos vistos, não as nossas polícias, nem quem nelas manda...

Nota: agradeço ao Bairro do Oriente a menção desta crónica na sua habitual rubrica «Leituras».

Macau bars HKU legal scholar

(South China Morning Post de ontem)

Rua da Felicidade

A tradicional Rua da Felicidade, em Macau, vista pela aguarela do falecido Philip Murphy. Uma bela imagem para alegrar os espíritos nestes dias cinzentos que o território está a passar...

quarta-feira, 4 de março de 2009

Welcome to Macau...

... but only if you are a moroon!

(South China Morning Post de hoje)

1/5 inferior a 1/6?

O tribunal havia ordenado a penhora de 1/6 (um sexto) do vencimento do executado. Este resolve alegar grave carência económica, requerendo, por isso, a isenção de penhora. O tribunal recusa, mas decide reduzi-la para 1/5 (um quinto)! Pelos vistos, no seu douto entendimento, considerou que 20% (1/5) é menos do que 16,(6)% (1/6)...

terça-feira, 3 de março de 2009

Vendilhões

Os vendilhões junto ao Largo do Senado e ao Mercado de São Domingos (fotografia de Rafael Lam).

segunda-feira, 2 de março de 2009

Promoção muito estranha...

Estas não serão as imagens ideais para postar logo a seguir à fotografia de uma igreja, mas não resisto a fazê-lo... Parece que esta loja da Rua de Santo António, em Faro, decidiu iniciar ontem uma promoção bastante original: um soutien (ou sutiã, se se preferir a adaptação do estrangeirismo) e uma... queca? Umas cuecas, talvez?

Igreja de São Domingos

(fotografia de Rafael Lam)

domingo, 1 de março de 2009

Ovos falsos

O IACM diz que não foram detectados ovos falsos, mas isso não quer dizer que eles não existam...

Editorial do South China Morning Post

Este é o editorial do conceituado South China Morning Post de quinta-feira passada, dia 26 de Fevereiro, depois de um fotógrafo do jornal ter sido novamente impedido de entrar em Macau. Mais uma mancha para a "nossa" imagem externa...