quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Apontamentos

Nuno Lima Bastos
5 de Fevereiro de 2009

1. Na minha anterior crónica, tive oportunidade de manifestar alguma estranheza pela generalização das reduções de horários de trabalho e, correspondentemente, de vencimentos que tem vindo a assolar a indústria do jogo de Macau nas últimas semanas. Recorrendo aos valores provisórios das receitas do sector em 2008, interroguei-me se não haveria alguma precipitação (melhor dizendo, aproveitamento) na forma como os efeitos da crise estavam a ser transferidos para o elo mais fraco da cadeia produtiva.
Como também disse e repito, sou um leigo nestas matérias. Certo é que a Wynn Macau acaba de anunciar que não vai proceder nem a despedimentos nem a cortes salariais entre a sua força laboral do território, apesar de o estar a fazer nos seus casinos de Las Vegas, onde pretende poupar até cem milhões de dólares em custos operacionais para não ter que dispensar ninguém. Steve Wynn parece, pois, ter decidido não repercutir nos seus subordinados locais os problemas originados nos investimentos que mantém em outras latitudes – ao contrário do que sugerem as decisões dos seus concorrentes...
Entretanto, o complexo City of Dreams, da Melco Crown, vai lançar uma campanha de recrutamento de sete mil trabalhadores no próximo fim-de-semana. Ora, se me não falha a memória, o Hotel Crown foi, nem mais nem menos, o pioneiro dos recentes emagrecimentos de jornas entre nós. Estou, por isso, bastante curioso para ver se a Crown tenciona dar preferência aos seus colaboradores que queiram mudar-se para o novo empreendimento à procura de recuperar um posto em full time.
O mesmo se diga da mão-de-obra dos outros operadores de jogo que foi afectada pelas reduções salariais: vai ou não aproveitar a oportunidade e comparecer na acção de recrutamento (tanto mais que, pela sua experiência profissional, deve ser o alvo natural desta iniciativa)? E se o fizer? Se algum casino perder largas centenas de funcionários, irá repor os vencimentos dos demais que se lhe mantiverem fiéis? Em bom rigor, deveria fazê-lo. Caso contrário, haverá motivos para se começar a questionar a boa fé de alguns dos argumentos que o sector tem vindo a aduzir junto da Direcção dos Serviços de Assuntos Laborais...

2. Acaba de ser divulgado que a balança comercial de Macau encerrou 2008 com um saldo negativo de 27 mil milhões de patacas, tendo as exportações caído para 16 mil milhões de patacas, menos 21,6% do que no ano anterior e o valor mais baixo desde 1996.
Estes números fazem-me recordar as recentes palavras de Xi Jinping, Vice-Presidente da China, quando defendeu entre nós a necessidade de diversificação da economia local, propondo o reforço da cooperação inter-regional como uma das soluções possíveis para Macau atingir esse desiderato. Concretizando, parece que a nova panaceia é a Ilha da Montanha. Tanto que até a Universidade de Macau já fala em expandir o seu campus para lá...
Ora, ainda me lembro dos tempos em que o ex-Secretário Vítor Pessoa “ligava o gravador” e repetia até à exaustão a “cassete” da plataforma giratória, debalde. Assim como me recordo de Stanley Ho revelar, em entrevista à CNN, que cada novo governador que aqui aportava o chamava e lhe pedia que diversificasse os seus investimentos no território, de modo a diminuir a dependência do jogo – contrapondo, de seguida, que Macau era demasiado pequeno para viabilizar investimentos de relevo em outras actividades produtivas.
Não sei se o emblemático tycoon tinha razão, mas a verdade é que veio o retorno à pátria, vieram com este a abertura do jogo, a fartura dos vistos individuais, a especulação imobiliária importada (em boa parte) do continente, a zona industrial transfronteiriça Macau-Zuhai, a cooperação com os países de língua portuguesa e os excedentes orçamentais recorde, está a chegar o décimo aniversário da RAEM e continua tudo na mesma...
Será desta?

Stanley Ho em queda

Nipa Piboontanasawat
Bloomberg
February 5, 2009

Hong Kong billionaire Li Ka-shing remained the city’s richest man even after his net worth dropped by half to $16.2 billion as stock prices tumbled, Forbes magazine said.

Macau gaming tycoon Stanley Ho slumped to 19th place from fifth in the magazine’s list of Hong Kong’s 40 richest people as his net worth showed the biggest slump, according to Forbes’ 2009 list of the city’s 40 richest people released today.

The number of dollar billionaires in the city slumped to 19 from 40 last year amid the global financial crisis and the total value of assets owned by rich-list members more than halved to $82 billion, Forbes estimated. The Hang Seng Index, the city’s benchmark stock gauge, tumbled 48 percent in 2008.

Stanley Ho’s net worth shrank 89 percent to $1 billion, partly due to the timing of the public offering of casino operator Sociedade de Jogos de Macau, the magazine said.

The Kwok family, who control Sun Hung Kai Properties Ltd., and Lee Shau Kee, chairman of Henderson Land Development Co., remained second and third richest on Forbes’ 2009 list, with fortunes of $10.8 billion and $9 billion respectively, although their net worth also slumped.

The following table shows the list of Hong Kong’s 10 richest according to Forbes Magazine:

1. Li Ka-shing ($16.2 billion)
2. Kwok family ($10.8 billion)
3. Lee Shau-kee ($9 billion)
4. Michael Kadoorie ($4.2 billion)
5. Joseph Lau ($4 billion)
6. Cheng Yu-tung ($3.8 billion)
7. Peter Woo ($2.6 billion)
8. Michael Ying ($2.2 billion)
9. Chen Din Hwa ($1.8 billion)
10. Ronnie Chan and Gerald Chan ($1.7 billion)

Salvem o Miguel!

Rob Schneider ajuda a salvar o Miguel.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A moda do sapato

Se a moda pega, vamos ter que começar a entrar descalços nos eventos públicos...

Iluminações de Ano Novo

(Fotografias de Rafael Lam)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Direcções

(fotografia do meu colega Rafael Lam)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A flexibilidade previsível do Governo

Isabel Castro
Ponto Final
2 de Fevereiro de 2009

Se não tivesse havido qualquer flexibilidade do Governo em relação à diminuição das molduras penais para os crimes mais gravosos previstos na lei de defesa da segurança do Estado, isso é que seria de espantar. É assim que o jurista Nuno Lima Bastos analisa a notícia que dá conta de que o Executivo terá cedido na nova proposta enviada à Assembleia.

Fez finca-pé durante o período de auscultação pública e na proposta que elaborou depois de ter ouvido a voz da população, mas cedeu às pressões do órgão legislativo. Segundo noticiou na passada semana a Rádio Macau, o Governo terá concordado em baixar a pena mínima prevista para os três crimes mais gravosos contemplados na lei de defesa da segurança do Estado.
Para Nuno Lima Bastos, jurista que não escondeu as suas críticas em relação ao processo de regulamentação do Artigo 23º, a atitude do Executivo, proponente do articulado, não constitui uma surpresa.
“Estaria mais surpreendido se tivesse havido inflexibilidade”, comentou Lima Bastos ao PONTO FINAL. “O Governo preferiu deixar esta questão para a sensibilidade da Assembleia Legislativa (AL). Podia tê-lo feito antes, mas entendeu de modo diferente. Mas sempre tive a impressão de que, no fim, iria acabar por prevalecer o entendimento”, analisou.
De acordo com a estação de rádio em língua portuguesa, a versão final do diploma a analisar pela AL deverá incluir algumas alterações, sendo que a que mais se destaca é a diminuição da pena mínima a aplicar aos crimes de traição à pátria, secessão do Estado e subversão contra o Governo Popular Central, fixada em 15 anos.
Recorde-se que desde o início do processo de auscultação que o limite mínimo foi considerado excessivo por vários críticos à proposta, por o considerarem excessivo. Alguns estabeleceram uma comparação com os crimes semelhantes contra a RAEM para sugerirem uma diminuição da moldura penal, lembrando ainda que a que foi proposta é superior à que se aplica para crimes como o homicídio.
Outros houve que defenderam o mesmo utilizando a China como exemplo: embora a pena máxima no Continente para este tipo de delitos seja a perpétua, a mínima é de dez anos de prisão, menos cinco do que a que se pretendia fazer valer em Macau. Este argumento foi amplamente utilizado pelos deputados à AL que não se mostraram convencidos com o conteúdo do articulado e, ao que parece, terá prevalecido em relação à intenção inicial do Executivo.
No site da Assembleia Legislativa ainda não está disponível a nova versão do articulado, que será hoje estudada pela comissão permanente responsável pela matéria. A reunião agendada para esta tarde conta com a presença de representantes do Governo, pelo que a secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, deverá deslocar-se de novo ao edifício do Lago Nam Van.

Podia ser melhor

Nuno Lima Bastos diz compreender que, “em termos teóricos, os crimes contra o Estado sejam considerados mais graves do que os idênticos contra o território”, acrescentando que “se isto significa que 25 anos como pena máxima é adequado ou não, enquadra-se já no domínio da política penal”.
O jurista considera que, a confirmar-se a diminuição da pena mínima para dez anos, o futuro aplicador da lei poderá ter em consideração a gravidade das consequências dos crimes em causa – se houve perdas humanas ou não decorrentes dos actos praticados contra a segurança do Estado.
Assim sendo, perde parcialmente relevância o argumento que utilizava as penas previstas para os crimes contra a vida como ponto de referência em relação aos abrangidos pela proposta de lei de regulamentação do Artigo 23º da Lei Básica.
Não obstante entender que “estamos no bom caminho”, o jurista não deixa de lamentar que não se tenha feito mais para evitar alguns riscos. “Continuo a entender que os mecanismos de averiguação da subtracção de segredo de Estado ainda oferecem margem de risco”.
Lima Bastos precisa a apreensão que tem e que está relacionada com a declaração a obter junto do Governo Central, entidade que confirma se a matéria em causa em determinado processo é ou não segredo de Estado.
O jurista alerta para o facto de não haver meios para confirmar o conteúdo da certidão em causa e receia que possa indicar como segredo de Estado algo que, à prática dos factos, não era do conhecimento público como sendo informação dessa índole. “Na China tudo é considerado segredo de Estado em determinadas circunstâncias”, afirma ainda.
Também em relação ao crime de sedição o aperfeiçoamento feito poderia ter sido melhor. “Pode haver um efeito de auto-censura em Macau”, aponta.

À espera de Hong Kong

Pormenores legislativos à parte, o jurista afirma que continua “a ter receio das pressões políticas quando um dia a lei for aplicada em Macau”. Subscrevendo uma ideia defendida pelo deputado Ng Kuok Cheong, Nuno Lima Bastos estabelece o paralelismo com sistemas democráticos para defender que, por estas bandas, este tipo de legislação assume contornos mais preocupantes.
“Em regimes democráticos, o Governo acaba por ter mais cuidado neste tipo de processos porque, sendo eleito, está sujeito ao escrutínio popular. Se adoptar determinadas condutas, pode ser penalizado por elas nas eleições seguintes.” Ora, em Macau o caso é diferente. Não só o Chefe do Executivo não é eleito por sufrágio directo e universal, como este método de representação popular só se aplica à minoria dos deputados à Assembleia Legislativa.
Mas há mais. “Num território como Macau, que está sujeito a um Estado que é tudo menos democrático, é óbvio que estes receios têm razão de ser”. Apesar de tudo, ressalva Lima Bastos, “haverá alguma contenção na aplicação desta legislação para acalmar Hong Kong até esta avançar com a regulamentação do Artigo 23º”. Só depois é que se sentirão, entende, as verdadeiras consequências da vigência de uma lei como esta.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

À margem das festividades

Nuno Lima Bastos
Jornal Tribuna de Macau
30 de Janeiro de 2009

Contrastando profundamente com o ambiente festivo que se vivia no território, as notícias que me iam entrando em casa sempre que ligava o televisor nos primeiros dias deste Ano Lunar do Búfalo mostravam um planeta em aparente caos, entre guerras, intolerância política, racial e religiosa, criminalidade violenta, corrupção, falências, desemprego, fome, doenças e tantas outras maleitas – umas que parecem recuar até onde a nossa memória alcança e ainda e sempre sem fim à vista; outras bem mais recentes, mas não menos chocantes.
Neste contexto, Macau assemelha-se a um pequeno oásis de segurança e estabilidade, se bem que não para todos. Aliás, o boom económico dos últimos anos trouxe, como se sabe, o efeito reverso de agravar as dificuldades de muitos residentes, acentuando as desigualdades sociais entre nós – uma circunstância tão estranha como censurável numa região que registou, nos primeiros onze meses de 2008, um saldo positivo nas suas contas públicas de mais de 86 milhões de patacas diárias!
Entretanto, a crise financeira internacional também nos começou a bater à porta e agora os gestores públicos e privados parecem ter encontrado o argumento ideal para recuarem na partilha da riqueza aqui gerada com quem deveria ser o seu principal beneficiário: a população activa do território.
Já nem falo nos despedimentos em massa na construção civil, pois compreendo que, se obras de grande monta param, não há como manter os milhares de trabalhadores que nelas laboravam. Dizem os manuais de economia que uma das reacções mais adequadas é fortes investimentos em obras públicas e é isso mesmo que está anunciado.
O que me faz uma certa confusão é que uma indústria como o jogo, que cresceu 31% no último exercício anual, careça tanto de cortar de forma imediata e generalizada nas remunerações dos seus colaboradores para se manter competitiva ou simplesmente à tona de água, como alegam os seus responsáveis. É certo que fontes reputadas como o Deutsche Bank, o Morgan Stanley ou o Credit Suisse têm avançado previsões de queda das receitas do sector entre os 4% e os 14% em 2009, mas estamos a falar de uma autêntica máquina de fazer dinheiro, que encaixou quase 110 mil milhões de patacas no ano transacto. Ora, se nem assim há margem suficiente para resistir aos primeiros avisos de abrandamento deste comboio de alta velocidade, então alguma coisa vai muito mal neste reino do vício! Excessiva exposição ao risco, com a construção simultânea de vários projectos de larga escala em Macau, Singapura e Estados Unidos, dirão alguns accionistas que querem processar a administração das Las Vegas Sands. Seja! E a concorrência, que justificações concretas tem para apresentar?
A um leigo na matéria como eu, inebriado por tantos dígitos à esquerda das casas decimais, fica a sensação de que, mais do que uma imposição imediata e inevitável da crise que vem de fora, o que há, neste momento, é o aproveitamento de um pretexto que estava à mão de semear, penalizando, como sempre, o elo mais fraco da cadeia produtiva. Os números dos lucros do jogo nos próximos meses encarregar-se-ão de me desmentir ou não.
Neste cenário, a política laboral do Governo também não é isenta de críticas, quando devia ser um farol para todos os agentes económicos: confrontado com sucessivos recordes de receitas públicas e sem imaginação para aplicar os excedentes orçamentais acumulados ano após ano, o Executivo preferiu generalizar o trabalho precário na administração pública, recorrer aos contratos individuais de trabalho para atalhar benefícios sociais, aumentar os ordenados abaixo do nível da inflação e não actualizar devidamente os diversos subsídios, além de não modernizar o regime de carreiras. Até a única medida positiva relevante avançada neste domínio – o alargamento do regime de previdência – ficou seriamente inquinada por uma lógica de funcionamento irrealista, que pretendeu transformar à pressa o mais humilde dos serventes em gestor de fundos de investimento da finança internacional.
Fruto de tudo isto, vivem-se hoje situações perfeitamente escusadas de iniquidade na administração pública, onde, por exemplo, muitos trabalhadores auferem apenas onze ou quinze dias de férias anuais remuneradas, quando o «Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau» fixa esse número em 22 dias, assim como só começam a beneficiar de assistência médica e medicamentosa gratuita ao fim de seis meses ou de um ano de trabalho, e exclusivamente para os próprios, quando o mesmo diploma determina a sua concessão ab initio ao trabalhador e respectivos membros do agregado familiar.
Agora, com a crise, os nossos governantes dizem que têm que poupar dentro de casa, não aumentando os vencimentos em 2009. Isto, depois de uma inflação recorde de 8,61% no ano passado – superior, portanto, aos 7,27% da última actualização salarial – e de mais um fantástico superávite orçamental, que ia quase já nos 29 mil milhões de patacas no final de Novembro. Na pública, como na privada, o elo mais fraco da cadeia produtiva é quem paga as favas. Mesmo quando ainda não há favas...

Lista ú(ét)nica?

Quando ouço respeitados elementos da comunidade macaense a sugerir, uma vez mais, a criação de uma espécie de lista étnica (se me permitem o termo) para as próximas eleições legislativas, pergunto-me se não haverá algum equívoco e não estarão a querer dizer que têm que falar com Pereira Coutinho para tentarem integrar a sua lista... É que, no último sufrágio, em 2005, a lista apoiada por essas figuras (designada «Por Macau») foi "cilindrada" pela humilde candidatura do sindicalista (a «Nova Esperança»): qualquer coisa como 11 para 1, como se pode ver pelos quadros abaixo! Somando a isso a ausência de uns e o trabalho de outros ao longo destes quatro anos, reeditar a «Por Macau» será puro masoquismo. Como diria o outro, não há necessidade...

Firma santa

Na Rua da Sé, a poucos metros da catedral de Macau, abriu recentemente esta loja de louças sanitárias (onde antes estava a «Po Tau»). Com uma localização destas, só podia ser uma «Firma Santa»!

Panchão nos Correios

O tradicional rebentamento do panchão em frente à entrada principal do edifício dos Correios, no Largo do Senado, no último dia de trabalho antes dos feriados do Ano Novo Chinês. Desta feita, foi a 23 de Janeiro (há precisamente uma semana).

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Quinta ou sexta-feira?

Os meus amigos do Ponto Final vão-me perdoar a divulgação, mas esta gralha é digna de nota: a edição de hoje do jornal surge identificada como sendo, simultaneamente, de quinta-feira, dia 29 de Janeiro, e de... sexta-feira, também 29! Um mimo para os coleccionadores!

PS: não obstante os meus reparos, este matutino continua a insistir, de quando em vez, na «inflacção»...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Dois anos novos de seguida...

A vantagem de um madeirense residente em Macau como eu, que passa o fim-de-ano na sua terra natal e depois regressa à terra de acolhimento, é que, no espaço de poucos dias, assiste a duas passagens de ano em dois lugares diferentes onde o fogo-de-artifício tem muita tradição. Estas imagens são da primeira celebração, no Funchal. A segunda vem já aí...

Feliz Ano Novo do Búfalo

(fotografia de António Mil-Homens)

Pensamento positivo

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Obama e nós

Nuno Lima Bastos
Jornal Tribuna de Macau
22 de Janeiro de 2009

Há dois dias, quando me preparava para assistir pela televisão à tomada de posse do 44.º presidente dos Estados Unidos da América, senti que esse seria o tema inevitável da minha crónica desta semana. Por outro lado, ocorreu-me precisamente a mesma preocupação que o director do JTM expressou no início do seu editorial de ontem: neste momento, é quase impossível ser-se original quando se escreve sobre Barack Obama, tal tem sido a sua exposição mediática nos últimos tempos, em particular nos dois meses e meio que decorreram desde a retumbante vitória nas eleições presidenciais. Tanto que, quando uma conhecida jornalista do Público discorreu sobre o pesado fardo do sucessor de George W. Bush (em texto reproduzido no Ponto Final de ontem), logo choveram mensagens de leitores no sítio do jornal na Internet, acusando-a de mera reprodução do que diversas publicações internacionais haviam já recentemente escrito e apodando-a, por isso, de tradutora, em vez de profissional da imprensa.
Ainda assim, vamos encontrando, aqui e ali, algumas frases felizes marcadas pela originalidade. Uma delas veio de João Miguel Tavares, do Diário de Notícias, que comparou o novo líder norte-americano com os dirigentes políticos portugueses nestes termos: «isto é como olhar para o Ferrari da garagem do vizinho e só ter uns Renault 4L à disposição» (o artigo integral pode ser lido no JTM de ontem). Enquanto via e ouvia Barack Obama a discursar perante os seus compatriotas, também pensei nisso. Não nestes exactos termos, claro, mas confrontando a eloquência e elevação das palavras daquele homem com a postura e a linguagem da generalidade dos actores da cena política portuguesa. Que embaraçosa – até desmoralizante – diferença, Senhor!
Vai daí, estou a assistir ao telejornal da TDM de ontem, que abriu com a cerimónia de Washington, e o que me aparece a seguir àquelas imagens marcantes? A reportagem de mais uma reunião entre representantes do Governo de Macau e a Segunda Comissão Permanente da Assembleia Legislativa sobre a proposta de «Lei relativa à defesa da segurança do Estado», concluída com as declarações do inenarrável presidente da comissão. Renault 4L? Não, o meu primeiro carro foi um velhinho Renault 4 GTL e tenho muita consideração por aquele ícone da história automóvel europeia. O que temos aqui é bem pior, para mal dos nossos pecados!
Dizem que cada povo tem os dirigentes que merece. Os americanos, pelos vistos, levaram oito anos a perceber que mereciam melhor, mas chegaram lá – pelo menos, por agora (veremos se Obama estará à altura das expectativas, se é que alguém alguma vez poderá estar ao nível de tão elevada fasquia). E nós, nesta minúscula, mas prendada, parcela de terra? Não merecemos melhor do que isto?
Leio no Público que a China terá censurado partes do discurso inaugural de anteontem, nomeadamente as referências ao comunismo, quer na transmissão em directo, quer na tradução chinesa disponibilizada pelos seus media. Não querendo invocar situações retrógradas que estão na ordem do dia num país aqui perto, considero quase um crime de lesa-majestade alguém censurar uma prédica como aquela. Mas fizeram-no, porque o povo tem que ser protegido e não pode ouvir falar nas «alianças sólidas e convicções fortes» que foram tão importantes como as armas para enfrentar o fascismo e o comunismo. E o povo também não pode ser intoxicado com recados aos líderes mundiais «que procuram semear o conflito ou culpar o Ocidente pelos males da sua sociedade». Assim como não pode saber que «os que se agarram ao poder pela corrupção e engano e silenciamento dos dissidentes (...) estão no lado errado da história».
Nada disto pode ou deve o povo saber. Afinal, o que o povo quer não é apenas «participar num convívio, com uns beberetes», como ainda agora veio dizer um administrador da Fundação Macau para justificar os mais de cem milhões de patacas que o organismo pensa gastar em subsídios a «jantaradas» comemorativas do 60.º aniversário da implantação da República Popular da China e do 10.º aniversário do handover de Macau? Como dizia o meu amigo Emanuel Graça no Hoje Macau, «aqui a conversa é outra: pagam-se jantares comemorativos», não lançamentos de livros, exposições ou palestras.
Na sua caminhada vitoriosa rumo à Casa Branca, Barack Obama foi-nos habituando a gestos nobres e mensagens profundas. Ao ser solenemente empossado, declarou aos seus concidadãos que era chegada «a hora de reafirmar o nosso espírito de resistência, de escolher o melhor da nossa história, de carregar em frente essa oferta preciosa, essa nobre ideia, passada de geração em geração: a promessa de Deus de que todos os homens são iguais, todos são livres e todos merecem uma oportunidade para lutar pela sua completa felicidade». E concluiu: «que seja dito aos filhos dos nosso filhos que, quando fomos testados, recusámos que esta viagem terminasse, que não recuámos nem vacilámos; e com os olhos fixos no horizonte e a Graça de Deus sobre nós, levámos adiante a grande dádiva da liberdade e entregámo-la em segurança às futuras gerações».
Já o nosso Governo, quando se dirige aos seus concidadãos em momentos que vão moldar o futuro desta sociedade, serve-se recorrentemente de prosas deste calibre: «amor à Pátria e amor a Macau, de corpo e alma, têm sido uma tradição por excelência dos residentes da Região. Após o retorno à Pátria, o espírito deste amor transformou-se numa força motriz para a construção e o desenvolvimento da Região, configurando-se uma noção comum em que compete à RAEM o cumprimento da missão de defesa da segurança nacional» (ou outra missão qualquer, dependendo da circunstância).
Por favor, censurem-nos!

Obama e as consolas de jogos

Though history and politics were obviously the focus of the news blitz surrounding today's US presidential inauguration, the event did mark two firsts for games. Barack Obama's swearing-in ceremony, which officials say attracted over 1 million spectators to Washington, DC, will be the first presidential inauguration that will be viewable via Xbox Live. Video of Obama's Oath of Office and speech, the rest of the ceremony, and other inaugural events will be available for download via XBL Marketplace for the rest of the week. Microsoft is also offering other Obama-related and presidential-themed content via its 17-million-member online service.

As Microsoft posted video of Obama's inauguration, Nintendo was occupying a place much closer to the 44th president of the United States. As Obama presided over a luncheon in the halls of Congress, a small army of movers began bringing the new First Family's belongings into the White House. Among the belongings arriving at the 216-year-old residence was a Nintendo Wii, which Obama's two daughters, Malia (age 10) and Sasha (age 7), received for Christmas. Australia's Herald-Sun newspaper reports that the console will be connected to the First Television in the mansion's family room, which will see its first young full-time users since then 12-year-old Chelsea Clinton took up residence in 1993.

Earlier this month, The New York Times reported that President Obama had been playing Wii Bowling with his daughters. He can also use the White House's real-life bowling alley to hone his infamously lacking bowling skills... until he acts upon his pledge to replace it with a basketball court. The alley was added by Richard Nixon shortly after he moved into the residence in 1969.

(in GameSpot, 20/01/2009)

Obama censurado na China

A censura chinesa começou a visar Barack Obama logo no seu primeiro discurso à nação e ao mundo enquanto 44.º presidente dos Estados Unidos da América.

Esta gente parece ter medo até da sua própria sombra! Tudo o que possa soar a reaccionário tem que ser mantido longe do povo. Para o zé povinho, esses básicos, bastam Jogos Olímpicos e taikonautas que cantam karaoke nos estádios e pavilhões. Trabalhem, comam, durmam e festejem umas coisas, desde que não armem muita confusão. Também não se reproduzam muito, que o país não suporta tanta gente. Podem ver televisão e aceder à Internet, mas com juízo. Podem falar de política, desde que não seja para dizer mal. Melhor, até podem dizer mal, mas só dos outros: dos americanos, dos israelitas, dos europeus (especialmente dos franceses da Carla Bruni e do Sarkozy). Pobre condição!

Mais detalhes aqui, no Público (enquanto não for também censurado...). E, já agora, na minha crónica de hoje no JTM.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O Público errou (e reconheceu-o)

É sempre o velho "dilema": escreve-se «para salvá-lo» ou «para o salvar»? Já tive oportunidade de explicar aqui que a opção correcta é a segunda.

O erro surgiu, uma vez mais, no título de uma notícia do Público do passado dia 13 (imagem abaixo).

Depois de um alerta meu, a redacção do jornal corrigiu o título, optando por mudar o verbo (imagem abaixo).

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Doze anos de Ciberdúvidas

O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa está de parabéns: celebrou ontem doze anos de existência ao serviço da promoção do idioma de Camões, período durante o qual deu 25 000 respostas a utilizadores de todo o mundo, segundo refere o seu sítio na Internet.

O jornal Público também assinalou a efeméride, destacando que este consultório linguístico, fundado em 15 Janeiro de 1997 pelos jornalistas João Carreira Bom (falecido há sete anos) e José Mário Costa, recebe actualmente uma média de 2,5 milhões de visitas mensais.

Aproveitamos para recordar que foi com uma pontinha de orgulho que vimos o Ciberdúvidas recomendar, em Setembro passado, a leitura do nossO Protesto «Pobre Olímpia», publicado no JTM de 11 desse mês.

Os nossos votos de longa vida e continuação de muito sucesso a toda a equipa do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa!