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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Subsídios do Instituto Camões

Acaba de ser publicada no Diário da República a listagem dos subsídios atribuídos pelo Instituto Camões no primeiro semestre de 2009:

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Um passo em falso da Universidade de Macau?

Zhuhai lawmakers criticise plan to move Macau university to city (*)

Fox Yi Hu
South China Morning Post
April 17, 2009

A plan to move Macau's top university to Zhuhai has drawn the ire of officials and lawmakers in the mainland city, highlighting friction between the neighbours.

The University of Macau will find a new home in Zhuhai's Hengqin Island while still operating under Macau laws, according to a plan revealed by university directors this month.

However, officials in Zhuhai frowned on the idea that land would be offered without retaining mainland rules, a Zhuhai government source said.

A Zhuhai lawmaker called it an insult to allow such use of the city's land, while a Zhuhai scholar said the relocation plan showed Macau's lack of respect for its neighbour.

Li Jiankang, a delegate to the Zhuhai People's Congress, said Macau had no right to run its laws and regulations on the city's land. "Co-operation between the two cities should be in a mutually beneficial way," he said, "It should not be based on the sacrifice of one side."

Mr Li, who owns a petroleum company in Zhuhai, said it was wrong for Macau to invoke the central government's power to "browbeat" its neighbour.

Yang Zhenghu, director of the Zhuhai-based South China Economic Research Centre, a think-tank close to the city government, said there was strong opposition among Zhuhai residents to the relocation plan.

"Macau did not consult Zhuhai about the plan. When it was unveiled, even Zhuhai officials knew nothing about it," Dr Yang said.

"This plan, if forced on Zhuhai, would affect future co-operation between the two cities."

The relocation idea surprised residents in both cities when a state official first mentioned it in February.

Du Ying, vice-chairman of the National Development and Reform Commission, said the relocation plan would figure in the Pearl River Delta's new development scheme.

It is believed that the plan was proposed by Macau to the central government, although Macau authorities would not confirm it.

On April 6, University of Macau directors gave details of the relocation plan in a Macau legislature meeting.

The Hengqin campus will be built on a site of about 1.4 sq km with a total construction area of 1 million square metres - about 20 times the university's present size.

Daniel Tse Chi-wai, chairman of the university council, told legislators that the institution would still operate under Macau regulations after the move was made.

For instance, students would have free access to online information without having to worry about the mainland's internet censorship, Dr Tse said.

Students may even be able to enter the Hengqin campus from Macau without going through immigration checkpoints, the university directors said.

Hengqin has been earmarked as a key base for economic co-operation between Guangdong, Hong Kong and Macau.

Just a few hundred metres from the Cotai Strip, Hengqin is three times the size of Macau but has fewer than 7,000 residents.

Macau's policymakers and developers have long been eyeing Hengqin Island to ease the pressure of population growth. Macau has arguably the world's highest population density, with 557,000 residents sharing 29 sq km.

The university said the relocation plan could solve a land shortage at the existing campus, atop a small hill on Taipa Island, where it said classrooms, offices, laboratories, dormitories and student recreation areas were "very limited".

The university, which has more than 6,000 students, said its area per student was only 8.7 square metres, compared with 960 square metres at Harvard University and the 150 square metres at Tsinghua University in Beijing.

Suggestions of Macau-Zhuhai co-operation in Hengqin were first floated more than 10 years ago, but nothing concrete had materialised.

Dr Yang said Macau should respect its neighbour to enable co-operation on a friendly and equal footing.

(*) Os negritos são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Os cursos amadores

Nuno Lima Bastos
12 de Março de 2009

Folheava eu o Boletim Oficial da RAEM há pouco mais de três semanas, quando me deparei com um despacho do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura a aprovar retroactivamente o funcionamento no território de um curso de mestrado em Direito de que nunca ouvira falar. Lido o diploma, fiquei a saber que é originário da Huaqiao University da República Popular da China, sendo aqui ministrado através de uma entidade curiosamente designada Centro Amador de Estudos Permanentes de Macau, com sede no 3.º andar do edifício Plaza Kin Heng Long, na Rua de Roma, ao NAPE.
Uma rápida pesquisa da versão electrónica do Boletim Oficial levou-me a encontrar outro curso de mestrado em Direito – Económico, desta feita – autorizado a funcionar exactamente nos mesmos termos, mas já desde Janeiro de 2004.
Após colocar os dois despachos no meu blogue, recebi um comentário de um leitor anónimo, apontando uma ligação desse Centro Amador a «organizações dos operários de Macau». E assim parece ser: a sua página na Internet apresenta-o sob a capa da Federação das Associações dos Operários de Macau, com a designação de Centro de Estudos Permanentes Pós-Laboral.
Fazendo mais umas buscas na net, fui parar ao website da Assembleia Legislativa; mais concretamente, à ficha do deputado nomeado Lei Pui Lam, apresentado como tendo a profissão de professor e o cargo de chanceler do Centro Amador de Estudos Permanentes de Macau (sendo, também, deputado à Assembleia Nacional Popular). A sua ficha pessoal indica, ainda, que possui uma licenciatura em Educação pela South China Normal University e outra em Direito, com especialização em Sociologia, pela Jinan University – curiosamente, dois dos estabelecimentos de ensino do continente que operam cursos no Centro Amador de Estudos Permanentes de Macau, como descobri mais tarde no Boletim Oficial... Continuando as coincidências, este deputado exerce a sua actividade docente na qualidade de professor catedrático visitante da Beijing Open University e da Hauqiao University, sendo que esta é outra das instituições do continente que ministram formação no Centro Amador... Em suma, o ecléctico senhor é, simultaneamente, chanceler deste estabelecimento de ensino, licenciado por duas universidades que operam em Macau através dele e catedrático de uma terceira universidade que funciona aqui pela mesma via! Cada um que tire as conclusões que quiser...
Voltando ao Boletim Oficial, apercebi-me de que, afinal, este Centro Amador é um verdadeiro potentado do ensino superior no território, tendo lançado, desde 2001, nada mais, nada menos do que 46 cursos, entre diplomas de três anos, cursos complementares de licenciatura, licenciaturas e mestrados – vinte mestrados, para ser mais preciso: além dos dois em Direito que já referi, também em Teoria e Design de Arquitectura, Psicologia Aplicada, Psicologia do Desenvolvimento e da Educação, Finanças, Tecnologia de Informática Aplicada, Engenharia Bioquímica, Engenharia Estrutural, Educação Física, Gestão Empresarial ou Gestão Administrativa.
Por detrás destes estudos, todos eles de «reconhecido interesse» para a RAEM – condição imprescindível para a sua autorização –, estão seis academias da China: as três a que o deputado Lei Pui Lam está ligado, a que se juntam a Beijing University (que presumo não ser a mesma instituição que a aludida Beijing Open University), a Zhongshan University e a Beijing Sport University.
Quero acreditar que o Governo de Macau tem sabido apreciar e ponderar adequadamente e de forma isenta os pedidos de autorização de todos estes cursos, e que o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior tem exercido com rigor a sua atribuição de «proceder à avaliação da qualidade científica e pedagógica do ensino ministrado, propondo as medidas que considerar adequadas». No entanto, se um dia for mesmo avante a criação da categoria máxima de técnico superior especialista no regime de carreiras da Administração Pública, pressupondo a detenção de uma pós-graduação, quero ver quem vão ser os candidatos aos lugares...

Nota: agradeço ao Bairro do Oriente a menção desta crónica na sua habitual rubrica «Leituras».

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Mais mestrados amadores!

Afinal, o mestrado em direito do «Centro Amador de Estudos Permanentes de Macau» autorizado há poucos dias pela tutela não era terreno virgem: há cinco ano, o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura já havia «reconhecido o interesse para a Região Administrativa de Macau» e, como tal, autorizado o funcionamento de um curso de mestrado em direito económico no mesmo local. Se não fosse verdade, até dava uma boa piada...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Mestrados amadores

Acaba de ser «reconhecido o interesse para a Região Administrativa de Macau» de um curso de mestrado em direito ministrado no «Centro Amador de Estudos Permanentes de Macau» (!).

Estou a pensar em lançar também um mestrado no ginásio do meu prédio. Será que lhe vão reconhecer interesse público?