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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Entrevista à Rádio Macau

O autor d'O Protesto foi o convidado do «Rádio Macau Entrevista» de sábado passado. A gravação do programa pode ser ouvida aqui (a imagem acima é do jornal Hoje Macau de hoje).

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O Hoje Macau que nunca saiu

Em Abril passado, escrevi estas palavras n'O Protesto: «depois de ter procedido a uma agradável revisão gráfica, que lhe deu um ar mais moderno (ao estilo do Público?), parece que o Hoje Macau se prepara para lançar uma nova e promissora página na Internet. Serão os efeitos da (ainda que breve) passagem de Carlos Morais José pela LUSA?».

Afinal, o projecto nunca teve seguimento, mas o website chegou mesmo a ser criado e até continua online, embora bastante desactualizado. A julgar por esta imagem (clicar para ampliar), era bastante promissor:

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Editoriais

Excelente o editorial de hoje do Ponto Final. Os dois primeiros parágrafos de Isabel Castro leram-me a alma! Veio-me logo à memória o encontro do então ainda candidato único a Chefe do Executivo com a comunidade portuguesa, no Clube Militar...

Não menos excelente o editorial de Carlos Picassinos no Hoje Macau. Ainda o sucessor de Edmund Ho não tomou posse e já acontecem "coisas" daquelas (concedo que o advérbio "já" é capaz de estar a mais aqui)...

Anda o Governo a querer poupar umas pataquinhas nos retroactivos de nove enfermeiros (todos "tugas" - isto há cada "coincidência"...) para, depois, esbanjar 32 milhões num contrato para uma empresa "amiga" fazer o que a malta de Hong Kong conseguiu por meros dois milhões há bem pouco tempo.

Pelo meio, ainda temos que ouvir os habituais dislates de alguns daqueles energúmenos que aquecem as cadeiras do parlamento local (aproveito para dizer ao senhor Chan Chak Mo que trabalho para a administração de Macau há quase década e meia e nunca tive casa paga pelo erário público, nem beneficio de viagens pagas até Portugal. Mas é verdade que me pagaram o bilhete de avião quando fui contratado - não dava para vir a pé, como disse a presidente da assembleia...).

Sinais do que aí vem?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Redução da idade da imputabilidade criminal

(Hoje Macau, 4 de Agosto de 2009. Já me manifestara sucintamente sobre este assunto em 23 de Fevereiro passado, no âmbito de uma entrevista concedida ao Jornal Tribuna de Macau)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Diga lá outra vez (III)

Não há nada como assumir o óbvio: quando escrevi aqui que a lista Voz Plural era a continuação dos antigos projectos eleitorais Macau Sempre e Por Macau, recebi diversas mensagens "anónimas" (1) contestatárias.

Pouco depois, o director do Jornal Tribuna de Macau partilhava do meu raciocínio num programa de rádio (mais pormenores aqui).

Agora, é o próprio número dois da Voz Plural a assumir, em declarações ao Hoje Macau, que «este projecto surge na continuidade de uma longa tradição, uma lista que tem sempre existido».

Estamos, finalmente, entendidos nesta matéria! Podemos, então, seguir em frente e começar a ver o que distingue o programa eleitoral da Voz Plural/Por Macau/Macau Sempre do da Nova Esperança.

Para já, no final da sessão de sábado passado entre o candidato único a chefe do executivo e os membros do colégio eleitoral que o vai designar dentro de dias, viram-se claras diferenças de posicionamento entre um muito crítico líder da Nova Esperança (tal como, aliás, a maioria da imprensa escrita de língua portuguesa) e um dócil cabeça-de-lista da Voz Plural, que considerou o programa de Chui Sai On «bem elaborado». Aguardemos pelos desenvolvimentos...

(1) Enfim, tão anónimas como, por exemplo, não referir o nome daquele jornalista (que muito prezo) da TDM que nunca faz uma reportagem sem usar as expressões «com o intuito», «que teve como palco» ou «no que ao (...) diz respeito» - só não adivinha quem anda muito distraído...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O fim da declaração suína

Depois do que aqui escrevemos, em primeira mão, sobre esta medida abusiva e inadequada, e das nossas declarações ao Hoje Macau de anteontem (no que fomos acompanhados pelo deputado Pereira Coutinho), o director dos Serviços de Saúde deixou cair a "declaração suína", conforme se pode ler nesta notícia daquele jornal:

Agora, para que não subsistam dúvidas na mente de ninguém (e sabemos bem que há muitas cabecinhas "quadradas" por aí...), só falta as ordens de serviço serem formalmente revogadas.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ainda sobre a declaração suína

Depois do que aqui escrevemos sobre a declaração que os serviços da Administração do território estão a exigir aos seus trabalhadores desde o final da semana passada, o Hoje Macau publicou a notícia acima reproduzida e o assunto deverá chegar à Assembleia Legislativa. Esperemos que o bom-senso prevaleça e esta medida peregrina (para não lhe chamar pidesca, como escreveu um leitor deste blogue) seja revogada.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Uma candidatura pela democratização do sistema

(Hoje Macau, 18 de Junho de 2009)

O escândalo FJA nas capas dos jornais

O Macau Hoje, antecessor do Hoje Macau (parece trocadilho, mas não é), foi responsável por algumas das manchetes mais inflamadas contra a criação da Fundação Jorge Álvares pelo general Rocha Vieira. Estas capas são bem o exemplo disso.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Chui Sai On na redoma

Sobre o tema da interpretação da lei eleitoral, além deste texto de Sónia Nunes no Hoje Macau de ontem, recomendo a leitura do excelente editorial do Ponto Final de 26 de Maio («Outra vez», de Ricardo Pinto) e do artigo «Viagem ao reino de Chui Sai On», de Isabel Castro, publicado na edição de ontem do mesmo matutino.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Compasso a dois tempos traduzido

Uma alma caridosa anónima traduziu para chinês e colocou num fórum da CTM o artigo «Compasso a dois tempos», da jornalista Sónia Nunes, publicado no Hoje Macau de 20 de Abril (também aqui), que reunia opiniões minhas, de António Katchi e de Jorge Fão sobre a última ida do Chefe do Executivo à Assembleia Legislativa e a sua sucessão.

A tradução ficou, então, assim:

觀察家評論何厚鏵列席立法會全體會議之表現以及現今政治形勢
原地踏步

刊於2009年4月20日之《澳門今日》報之一篇文章,Sónia Nunes著

行政長官何厚鏵列席立法會被理解為其卸任道別之開端,以及顯示其正處於期待階段及仍不知誰是其接棒人。對揀選有潛能成為候選人所出現的技術困局對普通人來說不代表甚麼,但與政治有密切接觸之人士可能會因此感到緊張。

行政長官近期 (今年首次) 列席立法會與政治沒有不太聯繫。這突顯了一位領導者形象,而他選擇向市民派發支票及在金融危機時期和五月一日前夕作出了給予麵包、工作及健康承諾,以作為道別之開始。何厚鏵在其任期屆滿前及 (根據預測) 在舉行選舉前之兩個多月 (雖尚未知誰是候選人),盡其所能行事:確保社會穩定。關於揀選下任行政長官所出現之似是而非困局將不會引起特別憂慮。普通市民不會有任何擔心,僅是那些愛猜測誰是候選人之人士及那些害怕在轉變中失去地位的人才會擔憂。

在星期四與議員進行的答問大會中已證實了政治觀察家所觀望的事情:何厚鏵列席立法會是為了宣佈在今年增加現金分享計劃之發放金額 (永久居民將獲發放六千元;非永久居民將獲發放三千六百元),而有關金額將於下個月發放。在答問大會中,沒有對增加發放金額作解釋亦沒有詳細闡述去年現金發放對內部經濟的成效。法律專家Nuno Lima Bastos指出作為一個領導人是應該作出解釋的。

法律專家Nuno Lima Bastos 認為 (行政長官) 在再次採用有關措施時應要考慮周詳,然而他卻只將金額調高百分之二十及宣佈發效醫療券,但又沒有解釋清楚,如為何不能以消費券代替支票,以確保有關款項可用於澳門。前立法議員方永強指出欠缺數字及缺乏長遠政策,這是有意這樣做的。他表示 “發放的津貼金額是一種可親的表現及在政治上是正確的。行政長官是知道還有其他便民的措施可推行,然而其選擇了上指方式,而所有人又感到滿意”。

將要離開

澳門理工學院導師António Katchi指出不要期待一個即將卸任之人會採取一些深層的措施。他強調 “有可能現屆政府不想減低下一任政府的管治範圍及公佈一些約束下一任政府的措施”。這是為着在政治上尊重接班人及考慮到澳門的獨特性。一般而言,一些重大的決定,北京都會參與,但北京現仍未就行政長官候選人發放任何消息。

António Katchi指出 “即使非憲法要求,但對一些重大政策之選擇需與中央政府取得一致。政府均嘗試取得協調。而在任期的尾聲,當然出現政策持續的問題”。正如方永强所表示,“何厚鏵需要與其接班人(仍未揭曉)磨合,具有領導才能的行政長官當知道誰是接班人後,便需與其就深層的政策作出對話。這在政治上是正確的”。

何厚鏵於立法會的表現被視為道別的開始。對於一些人士來說,他列席立法會已不合時宜,而另一些人則認為是合時間的。方永强表示“恰巧是在那天。時間相差不遠。行政長官需就其缷任後安排其將來」。Lima Bastos分析時表示“最理想當然是還可出任領導層。澳門是不會停下來的,需要繼續统治。可能行政長官被歐文龍的案件弄到心力絞碎...... 再加上在其任期的尾聲不幸地出現經濟危機”。

倘方永强對行政長官前往立法會的日期沒有其他評論,法律專家Lima Bastos則認為這非絕巧合。他指出“雖是缷任的開端,但卻是策略上的選擇。何厚鏵於五月一日前兩個星期列席立法會,這為着避免在餘下數月發生社會動亂而作出努力。透過那些支票,中央政府亦會就澳門面對經濟危機的處理作出良好評估,並可能會對本地政府心目中的何厚鏵接班人投以更多的信任」。

在三個名字中會存在着甚麼

公眾認為可能有兩位候選人:澳門特別行政區社會文化司司長崔世安及檢察長何超明。方永強卻指出還有一名人士需留意,他就是新聞界少談及之經濟財政司司長譚伯源。既然社會上似乎對候選之人選已心中有數,為何在只有數星期便知悉選舉日期中,仍無人表態參選呢?這是因為北京仍有疑問。

Katchi 指出:“似乎對兩名,又或可能是三名候選人的才能,現仍是未知之數。這所謂的選舉只是一齣笑劇,因為選舉委員會是不會揀選沒有中央支持之人士。在仍未假定僅得一名候選人的時候,多年來被視為何厚鏵繼承人的賀一誠卻承認其不在參選名單內”。

因此在情况未明朗時,無人會向前行。上指學者表示 “任何過早之行為可以被視為對中央政府不忠”。 冒險是不穩當的。 Lima Bastos 評論說 “我並不懷疑崔世安想成為行政長官 (而何厚鏵亦是這般希望)。名單仍未公佈,那是因為有北京的阻力”。方永強指出: “現仍未遇到合適的候選人來領導澳門的將來”。 現仍未知甚麼在秤子上。

崔世安一直是澳門商界精英所提及的名字,而何超明則是北京其中一個强而有力的派系所提及的名字。Katchi及Lima Bastos綜述: “一位是與資產階級界別較多聯繫,而另一位則來自法律界但與商界少有接觸”。有關學者表示“政府可想改變其形像”。 法律專家Lima Bastos指出 “基於檢察長所擔當之職務,其與本地之商界較為疏離,然而檢察長是否已準備引介其經濟政策呢?”。這位法律專家認為,對比崔世安,“普通市民更喜愛”何超明,因為他們想要一名來自法律界的人。

這位法律專家還認為檢察長要準確處理經濟須依靠他將來的班子,所以他提出經濟財政司司長譚伯源的名字。然而方永強卻不同意。該法律專家指出“譚伯源有10年的領導經驗,他有很多成功的可能性,亦有另外兩名候選人的特點,他熟悉經濟情況及曾參與開放賭權之工作,這些是他的優勢。對前立法議員來說, “三位均具備條件,而他們正等候北京的指示”。

quinta-feira, 30 de abril de 2009

JTM disponível em formato pdf

O Jornal Tribuna de Macau passou a estar disponível também em formato pdf. A edição do dia pode ser integralmente descarregada neste formato a partir do seu website. Estão online os ficheiros dos números publicados desde o dia 2 deste mês. Uma excelente iniciativa, que muito gostaríamos de ver seguida pela concorrência!

Entretanto, depois de ter procedido a uma agradável revisão gráfica, que lhe deu um ar mais moderno (ao estilo do Público?), parece que o Hoje Macau se prepara para lançar uma nova e promissora página na Internet. Serão os efeitos da (ainda que breve) passagem de Carlos Morais José pela LUSA?

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Compasso a dois tempos

É lida como o início da despedida. A deslocação do Chefe do Executivo à Assembleia Legislativa mostrou um governante em compasso de espera e que não sabe ainda a quem vai ceder a cadeira. O impasse técnico entre os potenciais candidatos pouco diz às gentes comuns mas pode estar a deixar nervoso quem priva com o poder.


Sónia Nunes
Hoje Macau
20 de Abril de 2009

A mais recente ida do Chefe do Executivo ao hemiciclo (e a primeira do ano) teve pouco substrato político. Sobressaiu a imagem de um líder que escolheu encetar a valsa da despedida com a distribuição de cheques pelo povo e promessas de pão, trabalho e saúde em época de crise e em vésperas de Primeiro de Maio. Na recta final do mandato e (segundo as previsões que têm sido feitas) a pouco mais de dois meses para as eleições que ainda se fazem sem candidatos, Edmund Ho faz o que pode: garante paz social. O aparente impasse na escolha do próximo governante não estará a gerar especial ansiedade. Entre os que se entretêm com a intriga dos nomes e os que temem perder o posto com a dança das cadeiras, a maralha descansa na certeza que vem aí mais do mesmo.
A sessão de perguntas e respostas tida na quinta-feira com os deputados confirmou as expectativas dos observadores políticos: Edmund Ho desceu à Assembleia Legislativa (AL) para informar que o plano de comparticipação pecuniária era mais elevado este ano (seis mil patacas para os residentes permanentes; 3.600 para os não permanentes) e que seria distribuído no próximo mês. Não houve explicações para o aumento da bonificação, nem resenhas dos efeitos que os subsídios tiveram no ano passado na economia interna. Como seria próprio, destaca Nuno Lima Bastos, de um líder.
“[O Chefe do Executivo] devia ter tido o cuidado de enquadrar a repetição da medida. Limitou-se a fazer uma actualização de 20 por cento e de anunciar vales médicos sem apresentar nenhuma razão para, por exemplo, não trocar os cheques por cupões de consumo para garantir que o dinheiro é gasto em Macau”, vinca o jurista. Faltaram números e faltou estratégia governativa a longo prazo – por opção, acrescenta o ex-deputado Jorge Fão. “O valor dos subsídios foi um gesto simpático e politicamente correcto. O próprio Chefe sabe que existem outras formas de beneficiar os residentes de Macau, mas optou por esta via. Todos ficaram satisfeitos”, aponta.

A caminho da saída

Não é de esperar medidas de fundo de quem está de saída, recorda o professor do Instituto Politécnico de Macau António Katchi. “É possível que o actual Governo não queira reduzir a margem de manobra do próximo e anunciar medidas que vinculem o seguinte”, frisa. Ao respeito político pelo sucessor acrescem as singularidades de Macau. As decisões de relevo são, por norma, partilhadas com Pequim que ainda não soltou fumo branco em relação aos potenciais candidatos a Chefe do Executivo.
“As grandes opções políticas têm a concordância do Governo Central. Mesmo quando não está constitucionalmente obrigado, o Governo local tenta um acordo. E na fase final de mandato há, naturalmente, a questão da continuidade”, refere António Katchi. Ou seja, esclarece Jorge Fão, Edmund Ho terá que concertar pontas com o (ainda incógnito) senhor que se segue: “O Chefe do Executivo – que tem capacidade de liderança – terá que dialogar com o sucessor, quando este for conhecido, sobre as políticas de fundo. É uma questão de rectidão política”.
A postura de Edmund Ho na AL é lida como o início da despedida. Para uns anacrónico; para outros, a tempo. “Calhou ser naquele dia. Não falta muito tempo. O Chefe precisa de preparar o seu futuro depois de deixar o cargo”, entende Jorge Fão. “O ideal seria que houvesse ainda liderança. Macau não está em pausa: é preciso continuar a governar. Talvez o Chefe do Executivo tenha ficado muito desgastado com o caso Ao Man Long...Ainda teve o azar de levar com uma crise económica na parte final do mandato”, analisa Lima Bastos.
E se Fão não faz segundas leituras da data escolhida para a ida ao hemiciclo, o jurista entende que não há aqui coincidências. “Foi um início da despedida mas estrategicamente escolhido. Edmund Ho vai à AL a duas semanas do Primeiro de Maio. Há ainda um esforço para que não haja convulsões sociais nos meses que faltam”, aponta Lima Bastos. Com os cheques, remata, também o “Governo Central irá fazer uma boa avaliação da gestão de Macau face à crise económica e poderá dar mais crédito ao candidato que o Governo local quer que seja o sucessor de Edmund Ho”.

O que há em três nomes

A lista oficiosa de candidatos foi, entretanto, bipolarizada pela opinião pública: haverá o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Chui Sai On, e o procurador geral da RAEM, Ho Chio Meng. E apesar de menos sonante na imprensa, alerta Jorge Fão, o secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, é ainda um nome a reter. Se a sociedade civil parece já ter arrumado as ideias porque é que a umas semanas de se conhecer a data para as eleições, ainda não há ninguém na corrida? Voltamos às dúvidas de Pequim.
“Parece haver uma indecisão em relação ao perfil dessas duas, ou talvez três, figuras. Esta chamada eleição é uma farsa. A Comissão Eleitoral não vai escolher alguém que não tenha o apoio do Governo Central. Ho Iat Seng que, durante muitos anos, era visto como o sucessor de Edmund Ho, admitiu que não fazia parte da lista dos candidatos quando ainda não é suposto que haja uma”, observa Katchi.
Ninguém irá, portanto, avançar sem saber que solo pisa. “Qualquer antecipação pode ser vista como um acto de infidelidade para com o Governo Central”, vinca o académico. Não é seguro arriscar. “Não tenho dúvidas que Chui Sai On quer ser (e que Edmund Ho quer que ele seja) Chefe do Executivo. Se o nome ainda não foi divulgado é porque há resistências de Pequim”, comenta Lima Bastos. “Ainda não há consenso. Ainda não encontraram o candidato mais indicado para chefiar o território no futuro”, vinca Fão. Resta saber o que está na balança.
Chui Sai On tem sido apresentado como o nome para a elite empresarial de Macau; Ho Chio Meng como o favorito de uma forte ala de Pequim. Katchi e Lima Bastos contextualizam: “Um está mais ligado à burguesia capitalista; o outro vem da justiça, não está tão estritamente ligado ao mundo dos negócios. O Governo poderá querer mudar de imagem”, refere o académico. “O procurador, até pelas funções que desempenha, está distante em relação aos grupos empresariais do território. Mas estará preparado para apresentar políticas económicas?”, lança o jurista. Para Lima Bastos, Ho Chio Meng é um nome que “agrada ao cidadão de rua que prefere alguém do mundo da justiça” a Chui Sai On.
A abordagem certeira do procurador aos negócios, continua, estará dependente da equipa que o acompanhar. E é aqui que o jurista coloca o secretário para a Economia e Finanças. Jorge Fão não concorda. “Com dez anos de chefia, Francis Tam tem muitas hipóteses de sucesso. Tem um pouco das características dos outros dois, com a vantagem de conhecer bem as condições económicas e de ter lidado com a liberalização dos casinos”, contrapõe. Para o ex-deputado, os três “reúnem todas as condições” e os três estarão à espera do sinal de Pequim.

A fuga de Chow e outras etnias

David Chow é o único membro do actual aparelho político que admitiu estar a ponderar uma candidatura a Chefe do Executivo. Terá o deputado o mesmo papel que Stanley Au teve nas eleições em que concorreu contra Edmund Ho? “David Chow é impulsivo o suficiente para se arriscar a falar numa candidatura sem estar com as coisas combinadas”, entende Lima Bastos. Para o jurista, o deputado estará a “ensaiar a fuga para a frente” porque “se apercebeu que não seria reeleito e quer sair pela porta grande”. A eventual mobilização da comunidade macaense para a criação de uma segunda lista, concorrente com a de Pereira Coutinho, ao hemiciclo é outra das movidas políticas mais explícitas. Mas não convence Katchi: “Não sou favorável a listas étnicas mas antes a plataformas políticas que defendam os interesses das diferentes classes sociais. Como os macaenses são, na sua maioria, funcionários da Administração, os seus interesses estão representados numa lista que defenda os direitos dos trabalhadores”. Jorge Fão concorda em parte. “Não gosto de listas étnicas. Um deputado não deve defender segmentos da sociedade mas toda a população. Agora, a lista de Pereira Coutinho não representa a comunidade e os votos não têm dono”, remata.

Nervoso miúdo só para alguns

Apesar de as eleições estarem à porta e de não haver um candidato natural a Chefe do Executivo não há grandes ondas de ansiedade no território - pelo menos a julgar pelos observadores que vão medindo o pulso à sociedade. As gentes de Macau, dizem, estão simplesmente desligadas do processo eleitoral; os investidores estão confiantes em como a política económica não será alterada. Quem poderá estar mais nervoso, especulam, será quem se senta à direita do poder.
“As pessoas (e eu também) estão convencidas que vai continuar tudo na mesma. Não vai haver mudanças de regime. Os que estão mais expectantes e ansiosos serão os que estão à espera da dança das cadeiras”, afirma o jurista António Katchi. Quem quer que seja o sucessor de Edmund Ho, continua, não vai alterar substancialmente as regras do jogo. O neo-liberalismo é para manter e há já sinais disso: “A intenção do Governo é acabar com o monopólio dos serviços públicos. Isso cria alguns expectativas no mundo dos negócios”, aponta. Só em democracia partidária, avança Katchi, é que haverá “maior margem de incerteza”. Nuno Lima Bastos concorda.
“A população em geral não está muito incomodada com isto [impasse político]. Não participa em eleição nenhuma”, reforça o jurista. Os olhos mais atentos e “mais nervosos” estarão do lado do “sector empresarial que tem funcionado na sombra do poder”. Sem partidos políticos, reforça, não faz sentido grandes exaltações: “Ninguém acredita que haja grandes mexidas ou instabilidade em função do nome A ou B” vinca Lima Bastos.
Também Jorge Fão põe água na fervura. “Os três possíveis candidatos [Chui Sai On, Ho Chio Meng e Francis Tam] servem os interesses da comunidade macaense. São de Macau e conhecem a política do Governo Central: venha quem vier terá que apoiar a comunidade”, sublinha. As incertezas para os investidores, contrapõe, estão mais no actual Governo do que no próximo. “Com a crise, o investimento desacelerou mas as eleições não estão a afugentar ninguém: não têm grande influência ao nível da economia. Agora, o que está acontecer é que os projectos têm estado parados – não pela entrada e saída do Chefe mas pelo caso Ao Man Long”, destaca Fão.
O ex-deputado e Nuno Lima Bastos assinam os reparos que Susana Chou fez ao secretário para os Transportes e Obras Públicas, Lau Si Io: “Passou-se do oitenta para o oito. Há muita gente a queixar-se do abrandamento nas obras públicas. A crise acabou por exercer pressão para o Governo espevitar a política de investimento pós Ao Man Long”, remata o jurista.

terça-feira, 6 de maio de 2008

A queda da máscara?

Acabado de regressar de umas curtas férias no exterior, eis que me deparo com esta capa do Hoje Macau de hoje. No seu interior, quatro artigos com referências bastante negativas ao Dalai Lama, um dos quais assinado pelo director do jornal, Carlos Morais José.

Já há algumas semanas que CMJ vem contemplando os leitores do Hoje Macau com fortes críticas ao Dalai Lama e aos apoiantes das suas reivindicações para o povo tibetano. Recordo-me, nomeadamente, do seu editorial de 9 de Abril e do artigo de opinião que escreveu dois dias depois, onde me chamou «neo-monge indignado».

Cada um é livre de ter a sua opinião e ambos temos expressado abertamente a nossa nesta matéria. É claro que, se eu vivesse do lado de lá da fronteira, seria preso apenas por ter uma bandeira do Dalai Lama, quanto mais por simpatizar publicamente com o antigo Prémio Nobel da Paz, mas isso é um pormenor que não parece ter relevância nas análises que CMJ faz sobre o regime chinês. Um regime, aliás, que prende jornalistas e lhes veda sistematicamente o acesso aos locais onde os acontecimentos "sensíveis" têm lugar, como o próprio Hoje Macau menciona em relação ao local onde decorreram as conversações de domingo passado entre representantes do Dalai Lama e do governo central. Mas CMJ, enquanto jornalista, também não parece ficar muito incomodado com isso. Adiante, que não quero ser novamente acusado de me limitar a uma «prosa copy paste» cheia de «lugares-comuns»...

O que já me parece menos adequado é CMJ apresentar como notícia (esta, assinada por ele na edição em papel, embora o seu nome não apareça na versão online) o que, no conteúdo, se afigura como um verdadeiro texto de opinião (por comparação, vejam-se esta e esta notícias do jornal Público sobre o mesmo assunto). As críticas de CMJ aos "pró-tibetanos" parecem, assim, ter "evoluído" de um editorial para um artigo de opinião e, agora, para as próprias notícias. Quando assim acontece, já é a objectividade do jornal, enquanto órgão noticioso, que começa a ser atingida.

Desde que João Costeira Varela anunciou a sua saída do Hoje Macau, tenho sentido uma mudança que não me entusiasma particularmente na linha editorial deste respeitado título local, devo confessar. Cada director tem o seu estilo, é verdade, mas João Costeira Varela parecia-me mais equidistante em relação às questões políticas locais e nacionais. Espero que CMJ não me leve a mal a opinião, que é franca e aberta.

Prefiro claramente o CMJ do editorial de ontem, «Os desvios». Esse, sim, é o CMJ que eu costumava ler com gosto! Fica a nota.