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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O deputado e os seus serviçais

O artigo cuja parte final aqui reproduzo não foi escrito por mim. Chama-se «E depois das presidenciais?», foi publicado no Hoje Macau do passado dia 26 de Janeiro e é da autoria de Arnaldo Gonçalves.
Folgo em ver que, finalmente, alguém - além de mim - se pronuncia na comunicação social sobre o que se tem passado no PSD-Macau desde as últimas eleições para os seus órgãos, em Julho de 2007, para um mandato de dois anos. São já três anos e meio (!) à deriva, sem assembleias gerais, sem reuniões da comissão política e sem qualquer actividade para os militantes. Apenas serviços de criadagem ao deputado José Cesário, o "padrinho" da golpada impunemente cometida por três ou quatro lacaios que tudo fazem para se manter nas suas boas graças; quem sabe, na expectativa de que um dia, quando o PSD estiver novamente no poder, o seu boss se lembre deles e lhes retribua a cega fidelidade. Até quando teremos que aturar isto?

sábado, 17 de outubro de 2009

Alargamento do Legco e da Comissão Eleitoral

Expansion of election panel, Legco on table

Gary Cheung
South China Morning Post
October 17, 2009

The government is again considering expanding the Election Committee that will pick the next chief executive in 2012 and making the Legislative Council bigger.

It made similar proposals four years ago for elections in 2007 and last year which Legco vetoed, but constitutional affairs minister Stephen Lam Sui-lung said the administration would not recycle those ideas.

The government will begin a public consultation next month on possible options for electoral reform in 2012. Chief Executive Donald Tsang Yam-kuen said yesterday he was committed to achieving a "much more democratic" electoral system by then.

Speaking on a Metro Finance radio programme yesterday, Lam said it was crucial the community gained experience in constitutional development in 2012. "The implementation of universal suffrage in 2017 would be smoother if we do a `warm- up' first in 2012," he said.

Lam said the government would strive to inject more democratic elements into the electoral arrangements for 2012.

He said the administration was considering expanding the Election Committee and Legco.

"Increasing the number of Legco seats would provide more room for representatives from various sectors to participate in politics," Lam said.

The chief executive, who was speaking on an RTHK Radio 3 phone-in programme, said the existing method of electing functional constituency legislators did not meet the criteria for universal suffrage.

Tsang said it was up to local people to decide whether functional constituencies should be retained or abolished, but any changes to the electoral system had to secure a two-thirds majority in the legislature. "Half of our lawmakers come from functional constituencies. They need to be persuaded they should go self-destruct for the good of other people," he said.

Tsang insisted he had honoured the pledge he made when re-elected two years ago to resolve the issue of universal suffrage - by securing a timetable for its introduction from the National People's Congress Standing Committee.

In 2005, the government proposed doubling the Election Committee's membership to 1,600. As part of this, all 529 district councillors - including 102 appointed by the government - would have had a seat on the committee. It proposed expanding the number of lawmakers by 10, to 70 - with five directly elected and five chosen by district councillors.

Controvérsia na reforma do Legco em Hong Kong

Tsang says Legco trade seats need to change
Consultation to look at functional constituencies

Ambrose Leung and Albert Wong
South China Morning Post
October 16, 2009

The legislature's functional constituencies cannot survive in their present form and their future will be addressed in next month's consultation on the 2012 Legislative Council elections, Donald Tsang Yam-kuen said yesterday.

The chief executive said the controversial trade-based seats were "not totally compatible with the principles of equal and universal suffrage" and this would be a question to consider when designing electoral arrangements for the 2012 and 2016 Legco elections.

It was the clearest indication yet by Tsang that the trade-based seats, which now make up half the 60-seat legislature, will be modified.

Beijing has said universal suffrage can be introduced for the Legco election in 2020 and the chief executive election in 2017.

The chief executive's words drew a storm of criticism from democrats, who took them as a signal that the functional constituencies, which they want abolished, will stay.

"Functional constituencies in their present form are not totally compatible with the principles of equal and universal suffrage," Tsang, who barely mentioned electoral reform in his policy address on Wednesday, said during a rowdy question-and-answer session.

"They cannot be kept in their present form under the electoral system for Legco in 2020," he said. "Of course, we have to consider this issue in designing the methods for the elections in 2012 and 2016."

But Tsang also remained adamant that the consultation on reforms for 2012 would not include reference to the chief executive and all members of Legco being elected by universal suffrage in 2017 and 2020 respectively.

"I am worried that this will again result in no progress being made. I truly hope that nobody will create new obstacles in the path of reaching a consensus over the election methods on 2012," Tsang said. Citing the pan-democrats' blocking of the 2005 reform proposal, which they considered undemocratic, Tsang urged lawmakers to "learn the lesson" and "pursue democracy, rather than pursue the subject of democracy".

During the 90-minute session, Tsang brushed aside criticism that he had breached his 2007 election promise to resolve the question of universal suffrage during his term.

He said Beijing's decision in December 2007 ruling out universal suffrage in 2012 but allowing it to be introduced as early as 2017 was "almost the biggest landmark for constitutional reform" in Hong Kong's 150-year history. Asking Beijing to reverse that decision would be "almost mission impossible", he said.

Currently, all 3.3 million registered voters can vote for the 30 geographical constituency lawmakers, but only 230,000 can vote in the functional constituencies. Furthermore, 150,000 of those 230,000 voters are concentrated in one constituency - labour, which has three seats - prompting further criticism that the system puts too much power in the hands of an unrepresentative few.

Tsang's remarks angered Democratic Party vice-chairwoman Emily Lau Wai-hing. Her party and its allies have long called for functional constituencies to be abolished.

"Are you trying to tell Hong Kong people that even if we do have a fully elected legislature in 2020, there will still be traces of functional constituencies? That you will retain them in disguise?"

Democratic Party chairman Albert Ho Chun-yan, said the impression he received was that functional constituencies would be there to stay if they were amended somehow - which he suspected was Beijing's solution for maintaining a check on the pan-democrats in the legislature.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Eleições autárquicas

Os resultados das eleições autárquicas de ontem em Portugal podem ser consultados ao pormenor aqui.

Como já foram mais do que esmiuçados pela comunicação social e pela blogosfera, apenas lhes dedico estas notas telegráficas: confirmou-se que Santana Lopes era uma fraca aposta para Lisboa nesta altura, como várias vezes disse a companheiros de partido; Rui Rio mostrou, uma vez mais, que os portuenses sabem separar o futebol da gestão da cidade, por muito que isso doa a Pinto da Costa e quejandos; Fátima Felgueiras e Avelino Ferreira Torres foram "despachados" sem apelo nem agravo, para bem da nossa democracia; em sentido contrário, não se percebe como Isaltino Morais consegue a maioria absoluta em Oeiras depois da sua clara condenação na justiça - sempre estou para ver como é que os seus eleitores vão reagir se perder o recurso interposto...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mais uma oportunidade perdida?

Nuno Lima Bastos
Jornal Tribuna de Macau
8 de Outubro de 2009

Foram ontem apurados os votos da emigração nas eleições legislativas portuguesas, responsáveis pela partilha dos últimos quatro lugares em São Bento. Retardei o mais possível a elaboração desta crónica, na esperança de saber já os resultados quando a iniciasse, mas não fui afortunado. Por isso, parto em desvantagem em relação aos leitores, que vão ter acesso a estas linhas já conhecendo esse desfecho...

É claro que, em face dos 226 deputados já definidos, este encerramento do escrutínio não altera nada. O Partido Socialista, com 96 assentos, vai continuar a precisar dos 21 votos do CDS-PP para chegar à maioria absoluta na Assembleia da República. Só mudaria alguma coisa se o PS conseguisse o resultado “impossível” (e jamais atingido por qualquer cor partidária) de açambarcar os quatro deputados dos círculos da Europa e de Fora da Europa. Aí, os 16 parlamentares do Bloco de Esquerda já permitiriam a formação de uma maioria absoluta de esquerda sem os comunistas.

Em 2005, o PSD elegeu José Cesário e Carlos Páscoa Gonçalves pelo círculo em que Macau se integra, graças aos 7707 votos que os emigrantes lhe conferiram. Com 3607 votos, o PS ficou a escassos 247 boletins de dividir os lugares com os laranjas.

Este ano, as contas devem ser ainda mais renhidas, dado que, até ao final da manhã de anteontem, apenas haviam chegado a Lisboa 7059 sobrescritos de eleitores a residir fora do velho continente – um total, portanto, abaixo do que o partido vencedor alcançou sozinho em 2005. Aliás, com tão poucos votantes, os escrutínios que o PS recebeu há quatro anos seriam suficientes para garantir agora os dois assentos.

Independentemente de quem irá cantar vitória com o cabeça-de-lista do PSD (cuja reeleição me parece evidente), sinto que Macau desbaratou mais uma excelente oportunidade de chegar à Assembleia da República. Já o disse antes e continuo a repeti-lo. Afinal, quão difícil seria associações como a ATFPM, a APOMAC e a Casa de Portugal juntas mobilizarem três ou quatro mil votos de cidadãos portugueses aqui no território? Impossível não seria, estou convencido.

Compreendo que a ATFPM se não queira envolver abertamente nesta contenda, uma vez que constitui o sustentáculo dos três membros do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) eleitos por Macau. O facto de o actual presidente do CCP ser um destes conselheiros – o médico Fernando Gomes – torna a situação ainda mais sensível, já que uma articulação da ATFPM com uma dada força partidária para efeitos de combate eleitoral poderia dificultar a cooperação institucional entre a direcção do CCP e os diversos partidos com assento parlamentar, já para não falar dos potenciais riscos para a própria coesão interna da equipa de Fernando Gomes.

Muito bem, mas continuaria a ser possível concertar a abstenção da ATFPM com uma postura activa das outras associações de matriz portuguesa, nomeadamente as duas que referi atrás, assegurando os apoios necessários para meter um nome de Macau em São Bento.

Já sei que viriam novamente ao de cima os eternos medos das iniciativas fracturantes, tão típicos deste nosso microscópico burgo (aliás, os mesmo que levam a que nem sequer se aceite debater certos temas, quando mais tomar posição sobre eles...). Sugeria, então, que se mandassem os grandes partidos “às malvas” e se procurasse negociar um entendimento eleitoral com um pequeno partido. Se não o CDS-PP ou o Bloco de Esquerda (os comunistas jamais entrariam no meu imaginário), uma das outras onze cores sem representação parlamentar. No meio de tanta aberração, até há alguns campos que escapam...

Certo é que, enquanto formos olhando para estas ideias como mero fruto de uma imaginação delirante, vamos continuar condenados a aturar políticos que se limitam a vir fazer turismo a Macau, inchados pelo habitual tempo de antena que a nossa comunicação social insiste em lhes dar para nada de útil ou de novo exprimirem. Para esse peditório é que, garantidamente, não dou mais...

Costuma dizer-se que cada sociedade merece os governantes (e os representantes) que tem. Eu acredito que merecemos melhor. Resta saber se alguma vez faremos por isso ou vamos preferir resignar-nos ao interminável choradinho de que ninguém nos liga em Lisboa...

Adenda: em reforço do que acima escrevi, recordaria que dois dos três deputados do PSD eleitos pela emigração são, eles próprios, emigrantes de longa data: Carlos Gonçalves, o cabeça-de-lista pelo círculo da Europa, vive em França e o seu homónimo Carlos Páscoa Gonçalves, número dois pelo círculo de Fora da Europa, reside no Brasil. Só José Cesário é que nunca foi emigrante. Ora, se o Brasil e França podem ter, cada qual, o seu deputado na Assembleia da República, não vejo porque não possa ter Macau também o seu...

Nota: agradeço ao Bairro do Oriente a selecção desta crónica para as suas «Leituras» da semana.

Eleições legislativas portuguesas - resultados finais


Mais pormenores podem ser consultados aqui.

Resultados das legislativas portuguesas em Macau

Estes resultados levariam à divisão dos dois deputados do círculo de Fora da Europa entre o PSD e o PS, mas a adição dos resultados da América (todo o continente americano) e de África já apurados indicia que o PSD irá manter José Cesário e Carlos Páscoa Gonçalves na Assembleia da República.

No círculo da Europa, o PS deverá ganhar, mas o PSD conseguirá aguentar o seu deputado.

Assim, na emigração, os laranjas continuarão a dar 3-1 aos rosas, pelo que o PS ficará com um total de 97 deputados e o PSD com 81. O CDS-PP manterá os seus 21, o Bloco de Esquerda 16 e o PCP 15.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Lido noutro lado

Já lá vão alguns dias, mas achei curiosa esta perspectiva sobre as recentes eleições legislativas de Macau (ainda que não concorde com ela, entenda-se).

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Resultados das legislativas portuguesas

Quando faltam apenas os dados da emigração, que apuram quatro deputados (habitualmente, três para o PSD e um para o PS), aqui ficam os resultados das eleições legislativas de ontem:

De salientar o excelente resultado do CDS-PP, que ultrapassa as duas variantes vermelhuscas (Bloco de Esquerda e PCP) e impede o PS de ter maioria absoluta com uma única dessas forças. Se quiser ter maioria parlamentar com um único aliado, o PS vai precisar do CDS-PP...

Mais pormenores podem ser consultados aqui e aqui, por exemplo.

sábado, 26 de setembro de 2009

TDM Entrevista

Depois de uma pausa de Verão, o TDM Entrevista regressa à programação do Canal 1 neste domingo, às 20h00 (imediatamente antes do telejornal), agora em formato mais reduzido, de 30 minutos.

Este vosso protestante teve o prazer de ser o primeiro convidado da nova época. Breves excertos da entrevista foram transmitidos no telejornal de hoje e podem ser vistos aqui.

O desempate técnico Sócrates-Manela

Sócrates ameaça Ricardo Araújo

O que os portugueses não viram:

Os varredores da política portuguesa

Se for Primeiro-Ministro...

O quinto Gato Fedorento?

Se eu perder as eleições...

Compra de votos nas eleições legislativas

Vote-buying not as obvious but still widespread
Crackdown fails to stop giveaways

Fox Yi Hu
South China Morning Post
September 25, 2009

Despite a crackdown on vote-buying, the practice went underground and ballot-rigging through giveaways remained widespread in Macau's legislative election on Sunday.

Eilo Yu Wing-yat, assistant professor of politics at the University of Macau, said candidates appeared more constrained in campaigning compared with the 2005 legislative poll.

"Vote-buying turned low-key but the problem has not gone," he said. "Supermarket coupons worth a few hundred patacas were still being handed out at dinner parties."

The hawker-like agents seen openly walking around Macau streets offering freebies or directly buying votes in 2005 were not visible in the latest poll. But free meals and free rides were widely used to influence voters' decisions on and before polling day on Sunday.

It is widely known that in the 2005 poll, voter permits had a price of 500 patacas. Those receiving the cash would hand their permits to vote-buying agents, who returned them on polling day, with the expectation that the voter would opt for the favoured candidate.

But the government this year scrapped the use of such permits, allowing registered voters to simply use their Macau identity cards when casting ballots. Macau's Commission Against Corruption hailed the rule change as a deterrent to electoral fraud. However, there was still organised vote-buying in the build-up to the election, with the market price for each ballot ranging from 500 to 700 patacas.

Last Friday, graft-busters arrested a number of people who allegedly ran a vote-buying operation.

Their vote-buying task was subcontracted out three times and those dealing directly with voters offered to pay 500 to 700 patacas per ballot.

Although there were no voter permits, the alleged vote-buyers had been collecting identity documents from voters.

On the same day, graft-busters searched the office of a charity run by candidates Lai Cho-wai and Kuan Vai-lam and took away computers and documents.

Lai and Kuan said they were not involved in vote-buying and had no idea what the search was about.

Business has boomed at large Chinese restaurants in the past few months and restaurateurs openly admitted that it was due to election-related banquets.

Since last month, a social group supporting candidate Mak Soi-kun, who won a seat, has hosted nearly 20,000 people in 20 large parties at the Federal Restaurant.

Yu said many social groups had been mobilised to attract voters, especially through banquets.

"Many groups that had been inactive suddenly came back to life in the build-up to the election," the professor said. "They became a tool for canvassing or even vote-buying."

The government's move to fund banquets to mark two anniversaries helped the campaigning of some candidates, he said.

The government launched a costly scheme to mark both the 60th anniversary of the founding of the People's Republic of China and the 10th anniversary of Macau's handover to China. It allowed social groups to apply for subsidies of up to 300 patacas per participant for organising celebrations, with each Macau resident limited to one event.

Many of the events, locally known as a "double celebration", turned out to be banquets with lucky draws.

Macau media reports said more than 500 groups applied for subsidies for 400,000 residents. Based on this figure, the government would have spent 120 million patacas.

On Sunday, several election teams mobilised fleets of taxis and private cars to send voters to 27 polling stations. The catch was that you had to vote for their candidates.

Driving voters to polling stations was permissible, the Electoral Affairs Commission said, but canvassing during the trip was forbidden.

At Fisherman's Wharf, people could eat for one pataca, but they were then asked to support candidate Melinda Chan Mei-yi, who later won a seat.

The Commission Against Corruption on Sunday arrested a man for driving a voter to a polling station and canvassing during the trip.

Macau's Legislative Assembly comprises 29 members, with 12 elected by popular vote, 10 elected through functional constituencies and seven appointed by the chief executive.

The 2005 vote was plagued with scandals, from minor bribes to direct vote-buying, and attacks on a candidate and a journalist.

Police and graft-busters arrested dozens of suspects, leading to four trials over ballot-buying. Wu Lin, a running mate of Fujian community leader Chan Meng-kam, was jailed for four years in 2007.

Political commentator Professor Larry So Man-yum, of Macau Polytechnic Institute, said voters showed higher awareness of electoral democracy and treated their ballots more seriously than in previous elections.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Contabilidade eleitoral

Nuno Lima Bastos
Jornal Tribuna de Macau
24 de Setembro de 2009

Encerrada que está, finalmente, a contagem (e recontagem) dos votos referentes às eleições legislativas de domingo passado, resolvi olhar para os números deste ano e de 2005, e começar a fazer comparações. Verifiquei, então, que:

– O número de eleitores inscritos passou de 220 653 para 248 708. Eram 28 055 potenciais novos votantes, um aumento de 12,71%;

– Já o número de pessoas que exerceram, efectivamente, o seu dever cívico progrediu de 128 830 para 149 006, o que significa mais 20 176 votos apurados do que há quatro anos – um crescimento de 15,66%;

– Da evolução destes dois conjuntos de valores resultou uma ténue subida da taxa de afluência às urnas, dos 58,39% de 2005 para os 59,91% deste ano (mais 1,5%). Por outras palavras, a abstenção diminuiu ligeiramente;

– A única candidatura cuja percentagem total de votos registou uma subida superior à da taxa de afluência às urnas (os 1,5% acima referidos) foi a União Para o Desenvolvimento, a lista dos operários, encabeçada por Kwan Tsui Hang (lista 12), já que teve 13,29% há quatro anos (correspondentes a 16 596 votos) e conseguiu 15,01% agora (22 101 votos). Isto é, tem mais 1,72% do total do que em 2005 (mais 5505 votos);

– As duas listas do Novo Macau Democrático venceram, no seu conjunto, estas eleições, com 28 210 votos, contra 23 489 no sufrágio anterior (mais 4721 votos), mas viram os operários encurtar um pouco a distância que os separa. Em percentagem total de votos, passaram de 18,81% para 19,16%. O mesmo é dizer, têm mais 0,35% do bolo do que antes;

– Analisando nesta perspectiva o desempenho de algumas das outras candidaturas repetentes, constatamos que Pereira Coutinho tem mais 0,95% do total de votos do que em 2005 (passou de 7,99% para 8,94%), Melinda Chan mais 0,69% do que o seu marido (de 4,87% para 5,56%), Ângela Leong mais 0,56% (de 9,32% para 9,88%) e Mak Soi Kun mais 0,52% do que o seu antecessor, Fong Chi Keong (de 6,83% para 7,35%). Com os kaifong, deu-se um fenómeno curioso: passaram de 9,60% para 10,21% (mais 0,61% do total), fruto de um reforço de 3048 votos, mas, ainda assim, perderam um deputado. Repare-se: na percentagem global dos escrutínios (que é o que decide a distribuição dos assentos parlamentares), os kaifong até cresceram mais do que os democratas (mais 0,61% contra mais 0,35%, respectivamente), mas perderam um deputado para estes, o que é bem revelador do acerto da estratégia de Ng Kuok Cheong e Au Kam San em se dividirem por duas equipas, já que isso lhes permitiu obstar ao desperdício de votos verificado em 2005;

– Chan Meng Kam não perdeu o seu companheiro de bancada, mas nem por isso se pode dar por muito satisfeito: desbaratou 2926 seguidores e emagreceu de 16,57% do total para 12,07% (menos 4,5%). O que lhe valeu foi a “reserva” de há quatro anos (os votos que então não lhe chegaram para meter o terceiro deputado);

– Já Casimiro Pinto, até conseguiu mais 39 “sins” do que Sales Marques (931 contra 892), mas deteriorou o desempenho percentual do seu predecessor (0,63% do total, contra 0,71% – uma descida de 0,08%). Um fraco resultado; ainda mais, tendo em conta o esforço de alargamento do projecto a outras comunidades. Até Lee Kin Yun, o jovem radical da lista 9, conseguiu ultrapassar a Voz Plural, quase duplicando a votação obtida em 2005 (de 655 para 1162 votos) e passando de 0,52% para 0,79% do total de boletins apurados – e, praticamente, sem quaisquer meios...

Dos valores acima apresentados, pode concluir-se, com segurança, que o desempenho das diversas candidaturas se manteve bastante estável, apenas se destacando o “pulo” dos operários e a penalização do grupo de Fujian; contudo, em ambos os casos, sem qualquer efeito prático no número de deputados conquistados. Aliás, como também pudemos constatar, a única “transferência da época” deveu-se, tão-somente, a uma inteligente gestão do seu “mercado” pelos democratas.

Resta acrescentar que, assumindo as listas 4 e 15 como duas partes do mesmo corpo, os doze lugares da Assembleia Legislativa a preencher por sufrágio directo e universal ficaram, uma vez mais, nas mãos de oito concorrentes, que açambarcaram 88,18% dos votos apurados (mais 0,9% do que em 2005 – 87,28% –, provavelmente por efeito da diminuição do número de listas que se apresentaram a votos).

Nota: agradeço ao Bairro do Oriente a selecção desta crónica para as suas «Leituras» da semana.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Debate eleitoral no Clube Militar

(in Ponto Final, 21-9-2009. Clicar nas imagens para ver o texto em tamanho grande)

Vitória dos democratas em Macau

Macau democrats gain after bruising election campaign

Reuters in Hong Kong
South China Morning Post
September 21, 2009

Residents of Macau turned out in record numbers to elect a new legislature with pro-democracy politicians in the China-ruled gambling hub making small gains despite an aggressive smear campaign by rivals.

At a time of flux in Macau, initial results published on Monday showed Macau's pro-democracy camp winning three of 12 directly elected seats in the 29-seat legislative assembly - one more than the previous four-year term.

Analysts and democrats said this increase, though marginal, when coupled with a record 60 per cent or so voter turnout, symbolised a greater public desire for improved governance and direct elections by 2019, the earliest potential window.

“We hope [Beijing] will now pave the road for [full] democracy,” said Antonio Ng, a democratic lawmaker, after breaking out the champagne to celebrate his re-election, with one in five voters backing pro-democracy candidates on the day.

Among the other winners were ailing gambling tycoon Stanley Ho Hung-sun's fourth wife Angela Leong On-kei, with the legislature responsible for green-lighting potential future gaming policies.

While Macau has cleaned up its seedy image with the influx of Las Vegas gaming giants - subject to tighter US regulatory oversight than local operators - the vast sums of money pouring into gaming halls have still left Macau susceptible to official corruption, organised crime syndicates and money laundering.

Seventeen of the 29 seats were directly appointed by Macau's leader or selected by special interest groups.

Macau's incoming leader Fernando Chui Sai-on was returned unopposed in a small-circle selection process during the summer.

Unlike neighbouring Hong Kong which has a lively opposition pro-democracy camp and plans direct elections in 2017, Macau, which reverted from Portuguese to Chinese rule in 1999, has not yet come up with a timetable for universal suffrage.

Ng, who along with veteran lawmaker Au Kam-san has fought a lonely and quixotic battle for full democracy in Macau's pro-Beijing legislature, said their election had been hit by a multi-pronged smear campaign seemingly orchestrated by powerful insiders through pro-government newspapers, including some well-timed exposes based on leaked confidential police records.

“Despite all the negative news, the people have affirmed my watchdog role,” Au told reporters by phone from Macau.